
Karmann Ghia TC surgiu como uma versão exclusiva brasileira para substituir o modelo original, trazendo inspiração no Porsche 911 e plataforma do Type 3, mas sua produção foi interrompida em 1975 devido à ferrugem e vendas insuficientes.
O Karmann Ghia TC, lançado em 1972 pela Volkswagen do Brasil, representou uma tentativa de criar um esportivo nacional após o fim do modelo clássico em 1971. Com carroceria inspirada no Type 34 alemão e traços reminiscentes do Porsche 911, o carro usava a plataforma dos VW Variant e TL, diferentemente do Fusca que servia de base ao Karmann Ghia original. Equipado com motor VW 1.6 a ar de 65 cv, ele prometia desempenho superior, mas enfrentou desafios que culminaram em sua descontinuação.
Origens do projeto brasileiro
A história do Karmann Ghia no Brasil começou em 1962, quando o país se tornou o único além da Alemanha a produzir o modelo. Graças à iniciativa de Friedrich Schultz-Wenk, presidente da filial brasileira da Volkswagen, a Karmann abriu fábrica em São Bernardo do Campo, São Paulo. A Volkswagen enviava a mecânica do Fusca, e a Karmann montava a carroceria projetada pela italiana Ghia.
Entre 1962 e 1971, foram produzidas 23.570 unidades do Karmann Ghia clássico no Brasil, incluindo 177 conversíveis. O modelo inicial era quase idêntico ao europeu, mas evoluiu com motor de 1.200 cc trocado por 1.500 cc e depois 1.600 cc. Mudanças locais incluíram sistema elétrico de 12V, bitola traseira maior, para-lamas ajustados, lanternas redesenhadas e motor 1.600 com torque de 10,8 kgf/m.
Na Europa, a produção do Karmann Ghia original continuou até 1974, totalizando 445 mil unidades. No Brasil, após pouco mais de 42 mil unidades até 1969 (considerando variantes), a Volkswagen optou por um sucessor exclusivo: o Karmann Ghia TC.
Características técnicas e produção do TC
O Karmann Ghia TC (Touring Coupé) foi apresentado como um carro de quatro lugares, com design brasileiro leve inspirado no Porsche 911. Sua estreia ocorreu em 1970 ou 1972, dependendo das fontes, mas a produção em série vai de 1972 a 1975, com 18.119 unidades montadas pela Karmann.
Diferente do Type 14 baseado no Fusca, o TC adotava a plataforma do Type 3, com carroceria Ghia adaptada. O motor boxer 1.6 rendia 65 cv, oferecendo melhor performance que os 30 cv do motor 1.192 cm³ inicial do modelo alemão. Para-choques mais robustos diferenciavam a versão brasileira. Apesar do apelo esportivo, com linhas harmônicas e baixo centro de gravidade, o carro não repetiu o sucesso do antecessor.
A produção restrita reflete as dificuldades: vendas despencaram subitamente, e problemas como ferrugem comprometeram sua durabilidade. Assim, o Karmann Ghia TC saiu de linha em 1975, integrando o rol dos clássicos nacionais com reconhecimento póstumo.
Legado de um esportivo nacional
Hoje, o Karmann Ghia TC é valorizado como ícone da indústria automobilística brasileira, apesar das limitações. Sua inspiração no Porsche 911 e exclusividade o tornam cobiçado entre entusiastas de carros clássicos. As 18.119 unidades produzidas contrastam com as 23.570 do modelo original, destacando como a ferrugem e o mercado ditaram seu fim precoce.
O projeto reflete a ousadia da Volkswagen do Brasil em criar um esportivo local, mantendo a essência do Karmann Ghia: design italiano, engenharia alemã e produção nacional. Versões conversíveis raras, como as 177 unidades, valorizam-se ainda mais, perpetuando o legado de um carro que poderia ter sido maior.
Fonte: Quatro Rodas – Abril