
O Ford Landau marcou a história automotiva brasileira como um dos sedãs mais luxuosos produzidos pela Ford no país, derivado do Galaxie lançado em 1967. Este modelo grande, com motor V8, foi o primeiro carro de passeio fabricado pela montadora no Brasil e se destacou por seu espaço, conforto e acabamento refinado, servindo inclusive como veículo presidencial até 1991.
Produzido em São Bernardo do Campo (SP), o Ford Landau nasceu como versão topo de linha da família Galaxie, idêntico ao modelo americano vendido entre 1965 e 1968. Sua estreia como LTD Landau ocorreu em 1971, incorporando detalhes como adorno no capô, novas calotas inspiradas nos Lincoln e teto de vinil com vidro traseiro reduzido, que conferia exclusividade e maior privacidade aos ocupantes traseiros.
Evolução do design e motorização do Ford Landau
Em 1976, o modelo passou por reestilização com novas grade dianteira e traseira exclusivas, diferenciando-o do americano e adotando o nome Ford Landau como topo de linha, acima do Galaxie 500 e LTD. Nessa fase, foi fabricado por dois anos apenas na cor prata Continental com teto de vinil combinando. As dimensões impressionantes incluíam 5,413 metros de comprimento, 1,999 m de largura, 1,412 m de altura e 3,020 m de entre-eixos, superando até picapes modernas como a Chevrolet S10 cabine dupla. O porta-malas oferecia 400 litros, e o peso excedia 1.800 kg.
O coração do Ford Landau era o motor V8 de 4.995 cm³ (5 litros), com 199 cv de potência bruta (154 cv líquidos) a 4.600 rpm e torque de 39,8 mkgf a 2.400 rpm, disponível a gasolina ou etanol. Inicialmente equipado com V8 de 4.500 cm³ e depois 4.800 cm³ (292 polegadas cúbicas), evoluiu para o 302 de 5 litros em 1976, herdado do Maverick. A transmissão era manual ou automática de três marchas, com direção hidráulica de série a partir do LTD em 1969. Desempenho priorizava suavidade: máxima de 154-158 km/h e 0-100 km/h em 14-16 segundos, com consumo de 5,58 km/l em testes de 1975.
Acabamento interno e papel presidencial
O luxo do Ford Landau residia no interior amplo, com materiais refinados, tecidos de alta qualidade, bancos confortáveis e itens raros como rádio com toca-fitas a partir de 1978. Ar-condicionado era opcional, mas vidros elétricos nunca foram oferecidos. Em maio de 1982, o modelo a álcool custava CR$ 4.313.260, equivalente a cerca de R$ 257.000 corrigidos pelo IPCA, acessível a poucos.
O Ford Landau 1982 ocupou o posto principal no Palácio do Planalto até 1991, superando rivais nacionais em espaço, conforto e silêncio, mesmo após o fim da produção. Em 1979, a Ford adaptou o V8 5.0 para álcool puro, tornando-o o único veículo presidencial a etanol no mundo. A produção encerrou em janeiro de 1983, com cerca de 78.000 unidades totais da linha Galaxie, substituído pelo menor Ford Del Rey. Seus últimos modelos azul-clássico ainda circulam, flutuando sobre o asfalto.
O legado do Ford Landau perdura como símbolo de ostentação e sofisticação nos anos 70 e 80, apesar do alto consumo agravado pela crise do petróleo, que reduziu vendas nos anos 1980.
Fonte: Quatro Rodas – Abril