
Recarga de carro elétrico. Imagem gerada por IA
A durabilidade das baterias de carros elétricos é significativamente melhor do que se acreditava anteriormente. Uma nova análise de dados demonstra que a degradação das baterias ocorre em uma taxa média de 1,8% ao ano, representando uma melhoria substancial em relação aos dados anteriores.
O levantamento foi feito pela empresa Geotab, que coletou dados de mais de 10 mil carros elétricos e examinou as informações de telemetria.
Essa melhoria é notável quando comparada aos resultados obtidos em 2019, quando a degradação média era de 2,3% ao ano. Os avanços tecnológicos contínuos na fabricação de baterias e nos sistemas de gerenciamento térmico explicam essa redução na taxa de desgaste. Na prática, esses números indicam que as baterias dos carros elétricos podem durar 20 anos ou mais, contanto que a taxa reduzida de degradação se mantenha.
Para compreender o impacto dessa degradação, é essencial entender o que ela significa em termos práticos. Depois de oito anos de uso, a bateria média ainda manteria aproximadamente 81,6% da sua capacidade original, garantindo que os veículos preservem uma autonomia plenamente utilizável por mais de uma década. Mesmo após 150 mil quilômetros, a bateria média de um automóvel retém normalmente cerca de 80% da sua capacidade original.
O papel do tipo de carregamento na degradação
A pesquisa revelou que a potência do carregamento é o principal fator que influencia a velocidade do envelhecimento da bateria. Veículos que dependem mais de recarga rápida em corrente contínua acima de 100 kW podem chegar a até 3,0% de degradação ao ano, aproximadamente o dobro do observado em carros que carregam, na maior parte do tempo, em potência menor ou em AC, próximo a 1,5% ao ano.
Essa diferença é significativa e destaca a importância das escolhas de carregamento no dia a dia. O carregamento em corrente alternada (AC), mais lento, apresenta impacto bem menor na degradação em comparação com o carregamento rápido em corrente contínua (CC). Os sistemas de resfriamento líquido também se mostram mais eficazes para prolongar a vida útil da bateria do que os sistemas passivos de resfriamento a ar.
Influência da Temperatura e Outros Fatores
Além do tipo de carregamento, a temperatura ambiente exerce influência considerável sobre a degradação das baterias. Veículos operando em regiões quentes degradam, em média, 0,4 ponto percentual a mais por ano do que os que rodam em clima ameno, embora o impacto da potência de carga ainda seja superior.
Outros fatores que contribuem para a saúde das baterias incluem a manutenção do nível de carga entre 20% e 80%, que minimiza o esforço das células, e a química específica da bateria utilizada pelo fabricante. Temperaturas extremas, tanto quentes quanto frias, aceleram o desgaste, enfatizando a importância do gerenciamento térmico adequado.
Implicações para o Futuro
A perspectiva de que as baterias dos carros elétricos possam durar 20 anos ou mais é especialmente relevante para frotas corporativas e para políticas de redução de emissões de dióxido de carbono no longo prazo. A saúde das baterias segue forte, e o modo de carregar passou a influenciar muito mais a velocidade do envelhecimento do que se pensava anteriormente.
Esses dados indicam que os proprietários de veículos elétricos podem esperar uma durabilidade consistente de suas baterias, desde que adotem práticas adequadas de carregamento e manutenção. A melhoria contínua na tecnologia das baterias sugere que os modelos mais recentes oferecerão ainda melhor performance e longevidade em comparação com os veículos elétricos atuais.
Fonte: CanalTech