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Trânsito no Brasil está mais poluído: culpa não é dos elétricos

O aumento da poluição no trânsito brasileiro agrava problemas de saúde pública e mudanças climáticas. Pela primeira vez, o inventário inclui estimativas de black carbon.

Engarrafamento em cidade brasileira com ar poluído ao entardecer, destacando a complexidade do trânsito.

A densidade do trânsito revela o impacto ambiental da frota veicular no Brasil, com poluição visível.

O trânsito no Brasil registrou aumento nas emissões de poluentes atmosféricos, conforme o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários – Ano-base 2024, divulgado pelo governo federal em 2 de dezembro. Apesar dos avanços do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que completou quase 40 anos, o crescimento da frota veicular e a maior intensidade de uso dos veículos superam os ganhos tecnológicos, resultando em mais poluição no ar das cidades brasileiras.

O documento, atualizado após uma década, destaca que emissões diretas de dióxido de carbono (CO₂) atingiram 270 milhões de toneladas em 2024, com tendência de crescimento contínuo desde 1980, estabilização após 2014 e nova alta nos anos seguintes. Automóveis foram responsáveis por 42% dessas emissões, enquanto caminhões de todos os tipos responderam por 40%, comerciais leves por 8%, ônibus e micro-ônibus por 8%, e motocicletas por 3%. No total de emissões do setor, o CO₂ representou 97%.

Avanços e Limitações do Proconve

Implementado há quase 40 anos, o Proconve trouxe reduções significativas em poluentes associados à combustão. Por exemplo, as emissões de monóxido de carbono (CO) caíram de 5,5 milhões de toneladas em 1991 para 1 milhão de toneladas. Já os óxidos de nitrogênio (NOx) registraram redução expressiva desde o fim dos anos 1990, com o diesel respondendo por 87% do total atual. No caso do material particulado (MP), embora as emissões de combustão tenham diminuído, as provenientes do desgaste de pneus, freios e pavimentos aumentaram e hoje equivalem a cerca de metade do total desse poluente.

Entretanto, esses progressos não foram suficientes para conter o aumento geral das emissões. Entre 2012 e 2024, o dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) cresceu aproximadamente 8%, acompanhando a expansão da frota e o uso mais intenso dos veículos. Em 2024, automóveis contribuíram com 34% das emissões totais de CO₂eq, e caminhões semipesados com 22%. O inventário reforça que a tecnologia veicular isolada não basta para enfrentar o problema.

Impactos na Saúde Pública e Mobilidade Urbana

O aumento da poluição no trânsito brasileiro agrava problemas de saúde pública e mudanças climáticas. Pela primeira vez, o inventário inclui estimativas de black carbon (carbono negro), um poluente climático de vida curta com impactos relevantes à saúde humana. Autoridades enfatizam a necessidade de políticas integradas para descarbonizar o setor. “O lançamento deste Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, com ano-base 2024, reforça a urgência de uma agenda integrada de descarbonização do trânsito no Brasil”, afirmou o Subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes.

Adalberto Maluf, Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, complementa: “O lançamento do Inventário representa um passo decisivo para o Brasil na consolidação de políticas públicas orientadas por evidências. Esse importante documento oferece informações essenciais para reduzir emissões, qualificar a gestão ambiental e apoiar a transição para um sistema de trânsito mais limpo e sustentável, reforçando o compromisso do país com a saúde pública e a ação climática.”

O estudo organiza dados por tipo de veículo, combustível e fase do Proconve, ampliando a análise de gases de efeito estufa e poluentes regulados. Cloves Benevides, subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, destaca ações futuras: “O documento serve como base técnica para acelerar a transição para uma matriz de transporte de baixo carbono, ampliando o uso de biocombustíveis avançados, promovendo eletrificação sustentável e planejando a logística para reduzir quilômetros rodados vazios e aumentar a eficiência energética.”

Os resultados indicam que o trânsito brasileiro enfrenta desafios complexos, onde o crescimento da frota e hábitos de uso superam inovações tecnológicas. Caminhões e automóveis lideram as emissões, demandando medidas coordenadas entre ministérios para melhorar a qualidade do ar urbano e promover mobilidade sustentável. Esse inventário atualizado fornece a base técnica para transformar dados em políticas efetivas, visando reduzir a pegada climática do setor rodoviário e proteger a população exposta à poluição diária.

Fonte: Canaltech

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