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Movimentações recentes no mercado de carros zero quilômetro reacenderam rumores antigos sobre uma possível redução nos valores do carro usado. Apesar disso, especialistas indicam que fatores como eleições, guerras e copa do mundo podem impedir essa queda.
O presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Everton Fernandes, explica que a instabilidade do mercado em 2026 é multifatorial. “Eleições, conflitos internacionais e o crescimento no varejo de usados podem frustrar a expectativa de queda nos preços dos veículos”, afirma o executivo.
Embora haja impactos de lançamentos pontuais, como o Tiggo 5X, Fernandes ressalta que movimentos isolados dificilmente afetam todo o mercado. “Eventualmente, um lançamento pontual pode gerar algum ajuste localizado em modelos diretamente concorrentes, mas isso não significa uma queda generalizada de preços no mercado de usados“, declarou.
Fatores que Influenciam os Preços dos Carros Usados
O comportamento dos preços de carros seminovos e usados depende de uma série de variáveis além do valor dos veículos novos. Entre elas, destacam-se oferta e demanda, custo do crédito, taxa de juros, confiança do consumidor, renda das famílias e o ritmo de produção e vendas de veículos 0 km.
Há uma tendência de redução gradual da Selic ao longo de 2026, o que pode tornar o crédito mais acessível e aumentar a adesão aos veículos zero-quilômetro. No entanto, o mercado de usados segue estável, sem perspectivas claras de queda nos preços.
“Nos últimos anos, o mercado de usados ganhou ainda mais relevância no Brasil exatamente por oferecer uma alternativa mais acessível ao consumidor”, observa Fernandes. A expectativa da Fenauto é de “continuidade de um mercado ativo, mas sempre com cautela em relação a previsões de preço”.
Desempenho do Mercado em 2026
Nos primeiros dois meses de 2026, as vendas de usados cresceram quase 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Se nenhuma variável externa impactar de forma significativa e projetarmos esse mesmo crescimento para os meses restantes do ano, deveremos fechar 2026 com aproximadamente 20 milhões de transações no mercado de usados, projeta o presidente da Fenauto.
Para que o carro usado perca preço, é preciso que a oferta de automóveis novos aumente e com preços menos elevados. No entanto, esse é um cenário muito distante da realidade brasileira, onde a indústria opera com uma capacidade ociosa elevada.
Diante disso, o que resta para grande parte dos brasileiros é recorrer ao mercado de usados. Como disse Fernandes, não será um modelo específico como o Tiggo 5X que irá mudar esse cenário. O presidente da Fenauto enfatiza a importância de monitorar variáveis externas, como eventos geopolíticos e econômicos, que podem influenciar a dinâmica de preços.
Hoje, pouco mais de seis anos após períodos de instabilidade anterior, o brasileiro ainda sonha com uma melhora nos preços, nem que seja no segmento de usados. A relevância crescente desse mercado reflete a busca por opções acessíveis em um contexto de custos elevados para veículos novos.
O mercado automotivo brasileiro continua resiliente, com o varejo de usados atuando como pilar fundamental para a mobilidade da população. Projeções otimistas para 20 milhões de transações em 2026 sinalizam atividade robusta, mas sem garantia de redução nos valores.
Fonte: AutoPapo