Projeções

Nissan não descarta venda da empresa em meio a crise financeira

A Nissan busca caminhos para recuperação, como o Plan Arc, que visa vender um milhão de unidades a mais que no ano fiscal de 2023 e alcançar margem de benefício operativo superior a 6% até o final do ano fiscal de 2026.

Nissan não descarta venda da empresa em meio a crise financeira

A Nissan está atravessando um dos momentos mais desafiadores de sua história recente, com projeções de perdas significativas e um plano agressivo de reestruturação. O CEO da empresa, o mexicano Iván Espinosa, em entrevista ao The Financial Times, não descartou publicamente a possibilidade de venda da companhia, afirmando que “neste mundo louco, tudo pode acontecer” e que a empresa deve “manter-se aberta e flexível diante de todas as opções possíveis”. Essa declaração ocorre no contexto de uma crise que inclui perdas projetadas em 4.200 milhões de dólares para o ano fiscal de 2026.

Reestruturação drástica para enfrentar perdas

O plano de ajuste global da Nissan envolve medidas radicais para tentar reverter as perdas operativas. A companhia prevê perdas operativas por 1.790 milhões de dólares no exercício fiscal que conclui a finais de março de 2026. Como parte da estratégia, a montadora japonesa planeja fechar sete de suas 17 fábricas em todo o mundo e encerrar 20.000 postos de trabalho. Essas ações visam reorganizar a estrutura do negócio e melhorar a liquidez em um mercado global marcado por quedas de vendas, pressão regulatória e altos gastos com eletrificação.

Uma das movimentações concretas já realizadas é a venda dos direitos fiduciários de sua sede central em Yokohama. A operação foi concretizada por aproximadamente US$ 643 milhões, incluindo um acordo de arrendamento de 20 anos que permite à Nissan continuar operando no edifício. Esse processo gera um ingreso extraordinario estimado en US$480 milhões para o ano fiscal em curso, ajudando a financiar a transformação e otimizar ativos. De acordo com fontes, a sede foi incluída em uma lista de ativos a vender antes do final de março de 2026, com aprovação do CEO Iván Espinosa.

Vendas de ativos e ajustes regionais

Além da sede, a Nissan avançou em outras alienações de ativos. A empresa acordou vender sua planta de fabricação em Rosslyn, África do Sul, ao grupo chinês Chery, em meados de 2026. A transação inclui o terreno, edifícios e ativos associados, sujeita a aprovações regulatórias. A maioria dos funcionários receberá ofertas de emprego da Chery em condições similares, e a Nissan continuará oferecendo veículos e serviços no país, com lançamentos planejados para o ano fiscal de 2026, como o Nissan Tekton e o Nissan Patrol. A decisão responde a “fatores externos” que impactaram a utilização da planta.

Essas vendas fazem parte de uma estratégia mais ampla para liberar capital e enfrentar desafios de competitividade, inovação e redução de custos. A Nissan também publica previsões de resultados que reforçam a gravidade da situação financeira.

Opções estratégicas em aberto, incluindo venda

Embora a empresa tenha aclarado que não existe um processo de venda ativo, o CEO Iván Espinosa deixou a porta aberta para cenários futuros, como novas alianças estratégicas, fusão com outro grupo automotor ou venda parcial ou total.

Ainda assim, a Nissan busca caminhos para recuperação, como o Plan Arc, que visa vender um milhão de unidades a mais que no ano fiscal de 2023 e alcançar margem de benefício operativo superior a 6% até o final do ano fiscal de 2026. O plano inclui lançar 30 novos modelos até 2026, sendo 16 elétricos, renovar 60% dos modelos com motor de combustão e reduzir custos de fabricação de elétricos em 30%, alcançando paridade com veículos a combustão até 2030. Em Europa, planeja seis novos modelos e 40% de vendas de veículos eletrificados até 2026.

Essas iniciativas mostram que, apesar da crise, a Nissan mantém foco em crescimento sustentável, embora a possibilidade de venda permaneça como uma opção não descartada em meio às turbulências do setor automotivo.

Fonte: Motor1 UOL

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