
Montadoras brasileiras estão perdendo terreno no mercado automotivo da Argentina para as marcas chinesas, que registram um avanço expressivo. A cada cem carros adquiridos na Argentina, setenta são importados e trinta produzidos localmente. Embora o Brasil continue sendo a principal fonte, o país começa a perder participação, impulsionado especialmente pelas marcas chinesas.
A participação de veículos made in China cresceu 233,8% no acumulado de janeiro a maio de 2026, alcançando 11,2 mil unidades e 6% do mercado. Em contraste, os veículos brasileiros ampliaram sua presença em 150%, totalizando 145,4 mil veículos, ainda detentores de 82% da fatia de mercado.
Desafios Regulatórios e Competitividade
O analista Sica destacou que, embora os chineses tenham níveis quase inexistentes atualmente, eles logo começarão a representar parcelas expressivas no mercado argentino. Isso se deve a um mercado que eliminou muitas restrições, necessidades de registros e mudou o marco regulatório, facilitando e reduzindo custos tanto para introdução de veículos por montadoras quanto para importadores.
Ele ressaltou que, apesar da oferta mais diversificada de veículos brasileiros, a velocidade de crescimento da China — especialmente em veículos híbridos e elétricos, nos quais o mercado argentino é quase totalmente desabastecido — deverá ser maior. Sica afirmou: “Obviamente os chineses hoje têm níveis quase inexistentes, mas logo começarão a representar parcelas expressivas de participação no mercado. Ainda mais com um mercado que eliminou muitas restrições, muitas necessidades de registros, mudou o marco regulatório que facilita e baixa muito os custos tanto na introdução de veículos por parte das montadoras quanto de importadores.”
Esse cenário representa um grande desafio para o novo mapa do setor automotivo. Sica está convencido de que, nos próximos anos, tanto no Mercosul quanto na Argentina, algumas montadoras já instaladas desaparecerão, principalmente por problemas de competitividade e escala. Ele previu: “Talvez apareçam algumas marcas, especialmente as asiáticas, muito mais para vendas do que para produção.”
Impactos no Mercado Regional
A dinâmica reflete uma tendência mais ampla na América do Sul, onde as marcas chinesas ganham força em segmentos como elétricos e híbridos. Na Argentina, a produção local é limitada, tornando as importações o motor principal do mercado. O Brasil, com sua oferta diversificada em hatches, sedãs e SUVs compactos, ainda lidera, mas o ritmo de expansão chinesa pode alterar esse equilíbrio.
Essa competição pressiona as montadoras brasileiras que dependem de exportações para a Argentina. A divisão histórica de tarefas — com a Argentina dominando picapes médias — pode ser testada pela sobreoferta global. Além disso, mudanças regulatórias na Argentina facilitam a entrada de novos players, ampliando o espaço para veículos eletrificados.
Respostas e Perspectivas Futuras
Em resposta a essa pressão, representantes das indústrias de veículos e autopeças do Brasil e da Argentina buscam alianças para reestruturar fábricas locais e enfrentar o avanço chinês. A tendência sugere que o mercado automotivo sul-americano passará por uma reconfiguração, com posibles saídas de montadoras tradicionais e entrada de marcas asiáticas focadas em vendas.
O futuro do mercado automotivo argentino dependerá da capacidade de adaptação às mudanças regulatórias e à demanda por tecnologias sustentáveis. Enquanto o Brasil mantém liderança numérica, o crescimento explosivo das montadoras chinesas sinaliza uma era de maior competição, potencialmente redefinindo o mapa produtivo da região.
Fonte: Autoindústria