Cenário

Volvo projeta queda de 5% a 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas em 2026

A previsão da Volvo persiste mesmo com o programa Move Brasil, anunciado no final de 2025, que já teve mais de R$ 2 bilhões em financiamentos liberados.

Volvo projeta queda de 5% a 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas em 2026

A Volvo projeta uma queda de 5% a 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas em 2026, mantendo o cenário desafiador observado no ano anterior. A previsão foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada pela montadora, onde executivos da empresa analisaram o desempenho de 2025 e as expectativas para o período.

Caso a projeção de queda se confirme, o mercado deverá registrar entre 77,9 mil e 82,3 mil emplacamentos, comparados aos 86,6 mil caminhões absorvidos pelos transportadores de carga em 2025. Esse cenário reflete a continuidade das dificuldades enfrentadas pelo setor, que já havia registrado queda de aproximadamente 11% no segmento acima de 16 toneladas no ano anterior.

Os principais fatores que impulsionam a retração

De acordo com Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, o principal obstáculo para a recuperação do mercado são os juros elevados. “Os juros altos encarecem o crédito e desestimulam as compras e a renovação das frotas. É um fator crucial que está freando o crescimento das empresas de transporte, inclusive reduzindo a sua competitividade”, afirmou o executivo.

A situação fiscal do país também representa uma preocupação. Lirmann destacou que a relação dívida-PIB saiu de 71% para 84% nos últimos três anos, uma trajetória que o executivo classificou como “preocupante”. O presidente acrescentou ainda que “a questão de taxa de juros tem um freio importante sobre o setor”.

Além dos desafios macroeconômicos, Lirmann elencou outros fatores adversos: a baixa rentabilidade do agronegócio e o fato de que 2026 é ano eleitoral, o que costuma provocar incertezas no mercado.

Fatores positivos e o programa Move Brasil

Apesar do panorama negativo, o executivo também identificou pontos favoráveis. O baixo desemprego consolida o consumo, há estimativa de mais uma safra robusta e a inflação em queda, que abre espaço para a redução dos juros.

A previsão da Volvo persiste mesmo com o programa Move Brasil, anunciado no final de 2025, que já teve mais de R$ 2 bilhões em financiamentos liberados para aquisição de caminhões novos e seminovos. De acordo com Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, a montadora, através de seu banco próprio, o Volvo Financial Services (VFS), realizou cerca de 300 financiamentos de caminhões a partir da segunda quinzena de janeiro.

Lirmann reconheceu que o programa “é certamente uma boa ideia e veio em momento adequado”, funcionando “como um remédio na transição para um ambiente de taxas de juros reduzidas”. Contudo, alertou que “tem que ser temporário para não se transformar em uma bolha”, lembrando o caso do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) do início dos anos 2010, quando o custo de crédito estava bem abaixo da inflação.

Investimento estratégico em inovação e sustentabilidade

Apesar das previsões de retração, a Volvo anunciou um novo ciclo de investimentos no Brasil para o período de três anos, entre 2026 e 2028, totalizando R$ 2,5 bilhões. Esses recursos serão destinados a novos produtos, serviços e treinamentos, além de investimentos em propulsão alternativa, com desenvolvimento de novos modelos elétricos e testes com caminhões e ônibus a hidrogênio.

Esse investimento representa o maior volume de recursos já aplicado no país desde o início da produção da Volvo em Curitiba, em 1979. A montadora demonstra, assim, confiança no mercado brasileiro e no potencial de recuperação do setor, mesmo diante dos desafios de curto prazo apresentados pela retração do mercado de caminhões em 2026.

Lirmann concluiu de forma pragmática: “Claro que não é um número que nós gostaríamos de anunciar, e temos que verificar no final do ano. Nós sabemos que tem algumas previsões diferentes dessa, mais positivas, e sempre que nós temos outras previsões, mais positivas do que a nossa, a gente torce pela previsão mais positiva”.

Fonte: AutoIndústria

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