
Enquanto a produção total de veículos cresce 3,5%, o setor de caminhões registra retração de 12,1% e veículos leves avançam 4,5%, segundo dados da Anfavea
A produção de veículos no Brasil totalizou 2.664.054 unidades em 2025, o que representa um crescimento de 3,5% em relação a 2024, quando foram produzidas 2.553.869 unidades. Esse resultado ficou abaixo da expectativa inicial da Anfavea, que previa um aumento de 7,8%.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, comentou que “Esperávamos mais, contudo não podemos dizer que foi um ano ruim”. Ele destacou que o Brasil se manteve entre os oito maiores produtores de veículos do mundo e na sexta colocação no ranking mundial de vendas.
O principal motor desse crescimento foi o segmento de veículos leves, cuja produção saltou 3,5%, passando de 2,38 milhões para 2,49 milhões de unidades. Em detalhes mais precisos, a produção de veículos leves alcançou 2.491.747 unidades, com alta de 4,5% em comparação com o ano anterior.
Retração no Setor de Caminhões e Crescimento Mínimo em Ônibus
Em contrapartida, a produção de caminhões recuou 12,1%, saindo de 141,2 mil unidades em 2024 para 124,1 mil unidades em 2025. De forma exata, foram produzidas 124.116 unidades de caminhões, contra 141.252 no ano anterior.
No breakdown por segmentos de caminhões, os de médios registraram o maior crescimento, de 87,5%, com 7.037 unidades produzidas, ante 3.754 em 2024. Os semileves aumentaram 56,5%, totalizando 1.103 veículos, comparados aos 705 do período anterior. Já os semipesados cresceram 2,8%, com 39.087 unidades contra 38.032 em 2024.
Os segmentos com retração foram os de pesados, que caíram 24,1%, de 80.576 para 61.152 unidades, e os de leves, com queda de 13,5%, de 18.185 para 15.737 unidades.
A produção de ônibus evoluiu apenas 1,6%, de 27,7 mil unidades para 28,2 mil unidades. No mercado interno, os emplacamentos de caminhões somaram 110.873 unidades, queda de 8,65% ante 121.373 em 2024.
Exportações e Mercado Interno Impulsionam Resultados Parciais
As exportações de veículos cresceram de forma expressiva, com alta de 32,1%, lideradas pela Argentina. No caso dos caminhões, as exportações subiram 50,8%, totalizando 26.984 unidades, mas não foram suficientes para compensar a retração na produção total.
O mercado interno registrou alta de 2,1%, abaixo da projeção de 5%, marcando o terceiro ano consecutivo de desempenho positivo. A demanda por modelos importados subiu 6,6%, enquanto a venda de produtos nacionais avançou apenas 1,1%.
As vendas de importados atingiram 498 mil unidades, crescimento de 37,6% sobre 2024, com 50,2% vindos de países sem acordo de livre comércio com o Brasil, como no âmbito do Mercosul e México, especialmente da China. Igor Calvet ressaltou que o número de emplacamentos foi favorecido pelas vendas diretas, que cresceram 7,9%, enquanto o varejo recuou 7%.
Para 2026, a Anfavea projeta otimismo contido, com crescimento de 3,7% na produção total, alcançando 2.741 milhões de unidades, concentrado em veículos leves com alta de 3,8%. Para caminhões e ônibus, a previsão é de 154 mil unidades, 1,4% acima das 152 mil de 2025.
Esses números refletem um setor automotivo resiliente, apesar dos desafios no segmento de caminhões, com o foco em exportações e veículos leves sustentando o crescimento geral da produção no Brasil em 2025.
Fonte: Autoindústria