
Foto: Peugeot/Divulgação
Produção de veículos na Argentina cai 18% no primeiro semestre de 2026
A produção de veículos na Argentina encerrou o primeiro semestre de 2026 em baixa, com queda de 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados oficiais da Associação das Fábricas de Automotores (Adefa). A indústria automotiva argentina, que já vinha enfrentando retração nos anos anteriores, voltou a registrar desempenho negativo em um cenário que reforça a fragilidade do setor.
Queda na produção no acumulado de janeiro a junho
Entre janeiro e junho de 2026, foram fabricados 204.658 veículos na Argentina, incluindo carros de passeio e comerciais leves, como picapes, o que representa uma contração acumulada de 18,3% em comparação ao mesmo intervalo de 2025. Esse volume significa 45.820 unidades a menos do que o registrado no primeiro semestre do ano anterior.
O desempenho negativo confirma que 2026 tende a ser novamente um ano de redução para as fábricas instaladas no país, repetindo o movimento de queda observado em 2025 e 2024, conforme relatado pelas montadoras locais.
Desempenho da produção em junho
Em junho de 2026, as fábricas argentinas produziram 37.029 veículos, entre carros de passeio e veículos comerciais leves. Esse volume representou uma queda de 1,9% em relação a maio e de 13,6% na comparação com junho de 2025, quando foram fabricadas 42.848 unidades.
Ao longo do semestre, o comportamento mensal da produção também evidenciou a dificuldade da indústria. Em fevereiro, houve melhora temporária, com alta de 19,7% em relação a janeiro. Contudo, esse avanço foi seguido por novos recuos: em abril, a produção caiu 17,5%; em maio, a queda chegou a 21,5%; e, em junho, o setor registrou novamente retração de 13,6% na comparação anual.
Exportações e vendas no atacado em queda
A retração da produção de veículos na Argentina veio acompanhada de resultados negativos nas exportações e nas vendas no atacado para concessionárias. No primeiro semestre de 2026, tanto os embarques ao exterior quanto as entregas às redes registraram desempenho inferior ao de 2025, com quedas em relação ao ano anterior, segundo os dados divulgados pela Adefa.
Esse movimento consolida um cenário de enfraquecimento do setor automotivo argentino, em que a redução na fabricação impacta diretamente o volume de veículos exportados e o abastecimento do mercado interno por meio das vendas no atacado.
Contexto recente da indústria automotiva argentina
Os números do primeiro semestre de 2026 reforçam uma tendência de pressão sobre a indústria automotiva do país vizinho. Em bimestres anteriores, a Adefa já havia apontado queda significativa na produção. No primeiro bimestre de 2026, por exemplo, saíram das linhas de produção argentinas 50,6 mil veículos, volume 30,1% abaixo do mesmo período do ano anterior, quando foram produzidas 72,5 mil unidades.
Nos dados específicos de janeiro, as montadoras argentinas fabricaram 21 mil veículos de passeio e comerciais, recuo de 20,7% em relação a dezembro e 30,1% abaixo da produção de janeiro de 2025. Quase metade desse volume, mais de 9,5 mil unidades, foi destinada à exportação, com declínio de 12,3% frente ao número de embarques de um ano antes.
Impactos e continuidade da tendência de baixa
Com a produção de veículos na Argentina acumulando queda de 18,3% no primeiro semestre de 2026 e sinais claros de retração também em exportações e vendas no atacado, o setor automotivo argentino enfrenta um período prolongado de ajuste e redução de atividade.
Esses indicadores mostram que a queda de 18,3% na produção de veículos no primeiro semestre não é um episódio isolado, mas parte de um quadro mais amplo de desaceleração da indústria automotiva do país, com reflexos sobre toda a cadeia produtiva e comercial ligada ao setor.
Fonte: AutoIndústria