
Depois da ofensiva contra os carros elétricos chineses, os pneus da China passaram a ser tratados como “ameaça” no Brasil. Em um movimento descrito como similar ao adotado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) voltou suas críticas aos produtores de pneus asiáticos e mira diretamente o avanço dos compostos importados no mercado brasileiro.
Pneus da China sob pressão no mercado brasileiro
A ANIP sustenta que os pneus da China vêm ganhando espaço de forma acelerada no país, em um cenário que se assemelha ao que ocorreu anteriormente com os carros elétricos chineses. De acordo com a associação, essa tendência tem gerado preocupação entre as empresas do setor instaladas no Brasil, que veem um desequilíbrio competitivo diante dos preços praticados pelos fabricantes asiáticos.
O questionamento da entidade se concentra no impacto que os compostos vindos da China estariam causando no desempenho das marcas que atuam no mercado nacional. A ANIP associa esse efeito principalmente às condições comerciais dos produtos importados, que chegam ao país com valores significativamente inferiores em relação aos similares produzidos localmente.
Pneus chineses 57% mais baratos que os nacionais
Segundo informações citadas pela ANIP ao UOL, os compostos vindos da China são, em média, 57% mais baratos do que os produzidos no Brasil. A diferença de preço é apontada como fator decisivo para a perda de espaço das fabricantes nacionais em segmentos sensíveis a custo.
A associação destaca que o efeito é ainda mais perceptível em nichos como o de frotistas e de motoristas de aplicativo, incluindo profissionais que atuam em plataformas como Uber e 99. Nesses casos, a escolha por pneus tem forte peso na planilha de custos, o que torna os pneus chineses mais atrativos por causa da diferença média de 57% no preço em relação aos produtos nacionais.
De acordo com a entidade, essa combinação de preços mais baixos e penetração crescente no mercado brasileiro é o que faz com que os pneus da China sejam classificados como “ameaça” para a indústria local, em linha com o discurso já adotado anteriormente no setor automotivo em relação aos carros elétricos vindos do país asiático.
ANIP pede aumento de tarifa de importação de pneus
Diante do avanço dos pneus da China, a ANIP passou a defender uma mudança na política de comércio exterior aplicada ao setor. A associação afirmou que espera que o governo eleve a tarifa de importação sobre pneus importados. A proposta é que a alíquota suba dos atuais 25% para 35%, replicando o movimento que já havia sido pleiteado — e utilizado como referência — pela Anfavea na discussão sobre os carros elétricos chineses.
Ao mencionar que seguiu o movimento da Anfavea, a ANIP reforça a estratégia de aproximar o debate sobre pneus da China daquele travado em torno dos veículos elétricos importados. A associação busca enquadrar os pneus da China no mesmo contexto de preocupação com competitividade e participação de mercado, defendendo que a elevação da tarifa de 25% para 35% é necessária para proteger a indústria de pneumáticos instalada no Brasil.
Impacto para frotistas e motoristas de aplicativo
O efeito da presença dos pneus da China no mercado brasileiro, de acordo com os dados citados pela ANIP, é especialmente relevante para frotistas e motoristas que atuam com aplicativos de transporte, como Uber e 99. Esses perfis de consumidores tendem a priorizar custo-benefício, o que torna mais difícil a competitividade das marcas nacionais frente a uma diferença média de 57% no preço dos compostos chineses em relação aos pneus fabricados no Brasil.
Dentro dessa lógica, a ANIP associa diretamente a pressão por menores custos ao avanço dos pneus da China nesse público específico. A entidade argumenta que a combinação de preço mais baixo e maior disponibilidade de produtos importados tem prejudicado o desempenho comercial das empresas que produzem no país, especialmente nos segmentos em que renovação frequente de pneus é uma necessidade operacional.
Debate repete estratégia usada contra carros elétricos chineses
A forma como a ANIP posiciona os pneus da China no debate público remete explicitamente ao que foi feito pela Anfavea em relação aos carros elétricos vindos do mesmo país. Ao destacar que adotou um “movimento similar” ao da associação das montadoras, a entidade de pneumáticos reforça a narrativa de que produtos chineses em diferentes elos da cadeia automotiva representam um desafio à competitividade da indústria nacional.
Assim como no caso dos veículos, a resposta defendida pela ANIP passa pelo aumento da tarifa de importação como instrumento de proteção e reequilíbrio competitivo. O pedido explícito para elevar a alíquota de 25% para 35% sobre pneus importados sintetiza a estratégia da associação diante do avanço dos pneus da China no mercado brasileiro.
Fonte: Canaltech