
A Volkswagen iniciou testes no Brasil com o novo motor 1.5 TSI HEV flex, um sistema híbrido pleno (HEV) destinado aos futuros Nivus e T-Cross. O conjunto está sendo avaliado em uma mula de testes baseada no SUV médio Taos, permitindo que engenheiros identifiquem o som característico do propulsor durante acelerações.
Este novo sistema combina o motor 1.5 eTSI Evo2, disponível em versões de 130 cv e 25,5 kgfm ou 150 cv e 25,5 kgfm, com um motor elétrico de potência ainda não divulgada. Juntos, eles entregam 136 cv ou 170 cv, sempre com 31,8 kgfm de torque combinado. O motor elétrico está integrado ao câmbio, permitindo operação em modo 100% elétrico para distâncias curtas, suportado por uma bateria de alta tensão instalada sob o banco traseiro e um conversor DC/DC para 12V.
Sistema híbrido otimiza eficiência e componentes auxiliares
Uma das vantagens do sistema HEV flex é a operação elétrica do compressor do ar-condicionado e do booster do freio, que gera o vácuo para o servofreio. Esses componentes elétricos, possivelmente vinculados à rede de alta tensão, liberam o motor 1.5 TSI para funcionar de forma mais eficiente, reduzindo emissões ao operar desconectado em certas condições.
No contexto brasileiro, o motor 1.5 TSI HEV flex será aplicado inicialmente na nova geração do Nivus, que pode ser considerado um SUV cupê e será fabricado em São Bernardo do Campo (SP). A segunda geração do T-Cross, inspirada no conceito ID.Cross apresentado em 2025, também está cotada para receber essa tecnologia. Testes adicionais ocorrem com carrocerias camufladas como o T-Roc europeu, atuando como mula para validar o conjunto mecânico.
Produção e características técnicas do novo propulsor
O motor 1.5 eTSI opera em ciclo Miller, que atrasa o fechamento das válvulas de admissão para melhorar a eficiência térmica. Para compensar perdas em baixas rotações, utiliza um turbocompressor de geometria variável (VGT), tecnologia tradicionalmente aplicada em motores diesel. Sozinho, o motor a combustão rende 150 cv e 25,5 kgfm, com queima mais eficiente que o atual 1.4 TSI.
A Volkswagen planeja produzir o 1.5 eTSI na fábrica de São Carlos (SP), substituindo o 1.4 TSI e integrando-o ao sistema híbrido pleno. Esse arranjo acopla o motor elétrico diretamente à transmissão, permitindo tração elétrica em manobras urbanas. O torque combinado de 31,8 kgfm (312 Nm) representa um ganho significativo sobre os 25,5 kgfm (250 Nm) do antecessor, compensando o peso extra das baterias.
A plataforma MQB Hybrid será usada para acomodar a eletrificação, prometendo ganhos de eficiência superior a 15% em relação a sistemas híbridos leves (MHEV). Isso pode elevar o consumo para além de 20 km/l em ciclo rodoviário e urbano, dependendo da calibração para etanol. O design final dos modelos nacionais, incluindo o novo T-Cross, terá toques da engenharia brasileira, preservando identidade visual regional.
Investimentos e cronograma de lançamento
Essa iniciativa integra os investimentos de R$ 16 bilhões anunciados pela Volkswagen até 2028, com foco na eletrificação da linha nacional. Embora o sistema HEV ainda não tenha estreado na Europa, os testes no Brasil avançam rapidamente. A chegada dos novos Nivus e T-Cross com motor 1.5 TSI HEV flex está prevista para ocorrer em até dois anos, possivelmente entre 2027 e 2028.
Os flagras recentes, como os captados pelo canal Falando de Carro, confirmam o desenvolvimento acelerado, posicionando a Volkswagen como precursora em híbridos flex no mercado brasileiro. O conjunto não só eleva a potência e o torque, mas também alinha a marca às demandas por sustentabilidade sem abrir mão da versatilidade do combustível flex.
Fonte: Quatro Rodas