
Demanda por veículos usados continua robusta no início de 2026, com quase 1 milhão de unidades negociadas em janeiro, representando alta de cerca de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Esse desempenho, divulgado pela Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), ocorre apesar da queda natural em comparação com dezembro de 2025, devido a despesas como IPTU e IPVA.
Crescimento consolidado do mercado de seminovos
O mercado de veículos usados no Brasil demonstra força contínua, com o fechamento de 2025 registrando recorde histórico de mais de 18,5 milhões de veículos vendidos, o maior volume desde 2012. Em janeiro de 2026, foram comercializados quase 1 milhão de carros usados e seminovos, sinalizando recuperação sólida mesmo em cenário econômico desafiador e com preços elevados para veículos zero-quilômetro.
Analistas atribuem essa expansão à maior disponibilidade de crédito, à elevação dos valores dos carros novos e à busca por modelos com melhor custo-benefício. “A procura ao longo do tempo pelo seminovo foi gradualmente se intensificando devido aos preços elevados dos modelos zero quilômetro. A distância entre o valor cobrado e o poder de compra da população aumentou”, afirma Enilson Sales, presidente da Fenauto. Fatores como a compra de veículos por locadoras, motoristas de aplicativo, veículos por assinatura e o avanço do delivery também sustentam o setor.
Ranking dos modelos mais vendidos em janeiro de 2026
A Fenauto divulgou os 10 modelos mais negociados no mercado de usados em janeiro de 2026, com predominância de compactos populares, picapes e carros de uso diário:
- Volkswagen Gol – 56.314 unidades
- Chevrolet Onix – 35.084
- Hyundai HB20 – 34.114
- Fiat Strada – 29.746
- Fiat Palio – 29.506
- Fiat Uno – 28.649
- Toyota Corolla – 22.404
- Ford Ka – 21.879
- Ford Fiesta – 20.771
- Chevrolet Celta – 19.262
O Volkswagen Gol mantém liderança absoluta, tradição de décadas no mercado brasileiro. Chevrolet Onix e Hyundai HB20 dominam entre os hatches, enquanto a Fiat Strada se destaca nos comerciais leves, atraente para frotistas e uso profissional[1]. Em outubro de 2025, o Gol liderou com 76.597 unidades, seguido por Onix (43.288) e HB20 (41.038).
Fatores econômicos e inflação no setor
A preferência pelo usado reflete a ampliação da diferença de preços entre zero-quilômetro e seminovos, com montadoras oferecendo mais tecnologia e margens elevadas. O IBV Auto, índice de preços de automóveis leves usados, registrou inflação de 0,35% em outubro de 2025, ante 0,30% em setembro, com acumulado de 5,70% em 12 meses. Preços se mantêm estáveis, levemente acima do IPCA.
Para 2026, projeções indicam potencial de manutenção do ritmo, com estimativa de aumento próximo a 5% sobre 2025, equilibrando desafios como Selic alta e rigor no crédito. “A expectativa é que o desempenho fique acima de 2025”, avalia o presidente da Fenauto. Eventos como eleições e Copa do Mundo podem influenciar, mas a demanda elevada no início do ano posiciona 2026 como janela estratégica para o setor.
O mercado de veículos usados consolida-se como protagonista, com 4,7 veículos usados vendidos para cada novo, alinhado à média histórica brasileira. Essa dinâmica estrutural reforça a resiliência do segmento diante de rendas estagnadas e custos crescentes dos novos.
Fonte: Autoindústria