
A Stellantis divulgou seu balanço de 2025 revelando um prejuízo líquido de € 22,3 bilhões, equivalente a cerca de R$ 135,2 bilhões, marcando o primeiro resultado negativo desde a formação do grupo em 2021, a partir da fusão entre Fiat Chrysler Automobiles e PSA Group. Em 2024, a empresa havia registrado lucro de € 5,5 bilhões.
O rombo financeiro chama atenção pelo seu tamanho e pela explicação principal fornecida pela própria montadora: uma grande revisão na estratégia de veículos elétricos. Ao longo do ano, a Stellantis anotou € 25,4 bilhões em baixas contábeis, perdas no valor de ativos relacionadas principalmente a plataformas puramente elétricas, projetos de baterias, iniciativas de hidrogênio e provisões de garantia. Esses investimentos massivos, feitos nos anos anteriores, não entregaram o retorno esperado no ritmo previsto, especialmente no mercado norte-americano.
Impacto das baixas contábeis e reestruturação
As baixas contábeis concentraram-se no segundo semestre de 2025, com € 22,2 bilhões registrados nesse período, pressionando as ações da empresa. O prejuízo operacional ajustado no segundo semestre foi de 1,38 bilhão de euros, dentro da faixa de orientação divulgada previamente pela gerência. No ano todo, a perda operacional ajustada somou 842 milhões de euros, revertendo o lucro de 8,65 bilhões de euros de 2024, com margem operacional ajustada negativa em 0,5%.
Para enfrentar a crise, o conselho da Stellantis suspendeu o pagamento de dividendos previsto para 2026 e autorizou a emissão de até € 5 bilhões em títulos híbridos, visando reforçar o caixa. O fluxo de caixa livre industrial permaneceu negativo em € 4,5 bilhões, embora tenha melhorado 25% em relação a 2024.
Desempenho operacional e entregas globais
Apesar do cenário adverso, o segundo semestre trouxe sinais de estabilização. As receitas cresceram 10%, somando € 79,25 bilhões entre julho e dezembro, com alta de 11% nas entregas de veículos. No ano completo, as vendas anuais caíram 2%, para € 153,51 bilhões, impactadas por efeitos cambiais e reduções de preços no primeiro semestre. As entregas globais totalizaram 5,573 milhões de veículos, alta de 1% sobre 2024, posicionando a Stellantis como a quinta maior montadora mundial, atrás de Toyota, Volkswagen Group, Hyundai Motor Group e General Motors.
No Brasil e América do Sul, a operação se destaca como a principal âncora de estabilidade e rentabilidade do grupo. A região contrasta com os números globais catastróficos, servindo de referência positiva em meio às reestruturações e cortes de custos na Europa.
Perspectivas para 2026 e foco na recuperação
O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, enfatizou que a América do Norte impulsiona a recuperação, com crescimento forte em volume que será o maior contribuinte para a lucratividade global. “A América do Norte está apresentando um crescimento muito forte em termos de volume. Esse crescimento será o maior contribuinte do mundo para a lucratividade da Stellantis”, declarou ele aos investidores.
Para 2026, a empresa projeta crescimento moderado da receita, com alta de um dígito médio, e margem operacional ligeiramente positiva, embora baixa. O fluxo de caixa livre industrial deve voltar a positivo apenas em 2027. Filosa afirmou que o foco será corrigir falhas na execução, melhorar a qualidade, fortalecer lançamentos e retomar o crescimento com lucro. Analistas do Citi veem esses resultados como um “ponto baixo evidente”, com potencial de recuperação, mas destacam riscos menores em concorrentes europeias e americanas.
As ações da Stellantis em Milão caíram 0,3% após o anúncio, acumulando queda de cerca de 20% desde a sinalização das perdas com elétricos e recuo de 30% no ano até o momento da divulgação.
Fonte: Motor1 UOL